sábado, 18 de maio de 2024

Room 666 (1982, dir. Wim Wenders)

 

 


    Em Cannes, Wim Wenders colocou vários cineastas sozinhos com uma câmera no quarto 666, para que cada um falasse do futuro do cinema. A verdadeira vitória de Wim Wenders aqui é criar um dispositivo tão simples que permite a cada cineasta fazer da sua seção um pequeno curta-metragem, moldar a fala ao longo do curto espaço de tempo tempo de maneira realmente artística, que no melhor dos casos consegue fugir ao máximo do formato (a primeira vista o único possível) de "entrevista jornalística" e entrega algo completamente novo (Godard é o melhor exemplo).  Uma janela que permite diferenciar cineastas que realmente pensam a própria vida e o próprio mundo (para além do cinema como instituição ou religião, como o grande Herzog, que não se importa com o debate da maneira que é colocado por Wim Wenders, fechado em si mesmo) dos Spielbergs da vida (o mesmo tão cego e encastelado que chega a ser cômico) e dos terceiro-mundistas, para quem perguntas-máximas do tipo "o cinema está acabando?" tem outra conotação, outros graus de importância, de significado.