terça-feira, 13 de setembro de 2022

Crítica - Marte Um (2022, dir. Gabriel Martins)

 

Duas experiências recentes que tive em salas de cinema terminaram com todos os sentidos mais aguçados, com um sentimento de presença e um retorno sensorial muito prazeroso ao mundo exterior. Memória, de 2021, do Apichatpong, e Marte Um.

Marte Um acompanha a cada membro de uma família em um período de grandes mudanças na esfera pessoal e na esfera política do país (a eleição de Bolsonaro é citada diretamente duas vezes). É um melodrama clássico, e dos mais bem executados, onde as questões sociais e emocionais estão de mãos dadas. 

O que mais impressiona é a vitalidade do filme, a ternura de cada um dos personagens. Todos os atores (em sua maioria iniciantes) que compõem o núcleo familiar ajudam a construir um mosaico humanista e esperançoso, e a fotografia parece servir principalmente a esses rostos - a destacar cada sorriso, hesitação, olhar. E é justamente nisso que reside um otimismo comovente, que como outros textos já apontaram, é tão síntese do próprio Brasil.

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